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EJA

157 Oficinas de Leitura e Escrita impactaram mais de 1.200 educandos de EJA nos 15 municípios do Projeto

31 de agosto de 2026

Entre março e julho deste ano, o Projeto ALFA-EJA Brasil realizou 157 Oficinas de Leitura e Escrita, impactando 1.216 estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 15 municípios das regiões Norte e Nordeste. Desenvolvida pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire (IEDHPF), em parceria com a Petrobras, a iniciativa promove um percurso formativo que integra memória, território, comunicação, arte e participação comunitária, reafirmando os princípios da Educação Popular e fortalecendo o protagonismo de jovens, adultos e idosos.

As atividades envolvidasam educandos de Oiapoque (AP); Carauari e Coari (AM); Belém (PA); Fortaleza, Caucaia e Icapuí (CE); Alto do Rodrigues (RN); Conde, Araçás e São Francisco do Conde (BA); Santa Luzia do Itanhy e Brejo Grande (SE); Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho (PE). Em diferentes contextos sociais, culturais e territoriais, as oficinas realizam espaços de diálogo, escuta sensível e produção coletiva de conhecimentos, conectando os saberes da vida às práticas educativas desenvolvidas pelo projeto.

Alcance das oficinas

Além da ampla mobilização nos territórios, os escritórios registraram 789 educandos frequentes ao longo do semestre. O levantamento de perfil aplicado pelo Projeto contorno com 631 entrevistados, o equivalente a 77,9% dos participantes frequentes e 61,9% da meta prevista para o período, proporcionando um panorama sobre quem são os estudantes atendidos e suas condições de vida.

“As Oficinas de Leitura e Escrita foram pensadas como estratégia de aprendizagem considerando a diversidade dos assuntos, os contextos sociais e a equidade no acesso aos saberes e conhecimentos, permitindo que educandos trabalhadores possam resgatar e complementar sua formação e sua caminhada cidadã”, explica Francisca Elenir Alves, coordenadora-geral do Projeto ALFA-EJA Brasil.

Perfil dos educandos

O levantamento revelou um público majoritariamente feminino, com predominância de estudantes entre 40 e 60 anos, evidenciando o retorno de adultos e idosos à escola. Ao mesmo tempo, chamou atenção a presença significativa de educandos com menos de 18 anos, reforçando o fenômeno da juvenização da EJA e a necessidade de práticas pedagógicas capazes de dialogar com diferentes gerações.

Grande parte dos participantes possui renda familiar de até dois salários mínimos e acessa a internet exclusivamente pelo celular, com habilidades tecnológicas básicas. O perfil revela trabalhadores e trabalhadoras, mães, pais, avós e jovens que convivem na mesma modalidade de ensino, reforçando a importância de metodologias que valorizem suas trajetórias de vida e suas condições concretas de aprendizagem.

As seis oficinas foram organizadas como um processo contínuo de aprendizagem, inspirado na pedagogia de Paulo Freire. Ao longo dos encontros, os educandos partiram da leitura de suas próprias experiências para construir coletivamente narrativas, cartas, manifestações artísticas e propostas de intervenção em seus territórios, fortalecendo vínculos com a comunidade e reafirmando a educação como prática de transformação social. Confira aqui como foi cada uma delas.

Oficina 1: Paulo Freire e a gente – o mundo que a gente já lê

A primeira oficina acolheu os educandos e valorizou os conhecimentos construídos ao longo da vida. A partir da pergunta “O que você aprendeu que não foi na escola?”, surgiram relatos sobre trabalho, cuidado, cultivo, construção e outras experiências do cotidiano.

O encontro apresentou o conceito de Leitura do Mundo e os princípios dos Círculos de Cultura, mostrando que o conhecimento nasce da experiência concreta e das relações com o território. A atividade fortaleceu a autoestima dos participantes e reafirmou o direito de todos ao saber.

Oficina 2: Memórias – de si e do seu território

Na segunda oficina, os educandos refletiram sobre as transformações de seus bairros e comunidades, comparando o passado e o presente dos territórios onde vivem. As conversas despertaram memórias afetivas, fortaleceram o sentimento de pertencimento e ampliaram a leitura crítica da realidade.

Os participantes também relacionaram seus saberes cotidianos com conteúdos escolares e iniciaram o preenchimento do instrumento “Leitura de Quem Sou Eu!”, registrando suas trajetórias, expectativas e motivações para retornar à escola. O encontro terminou com a construção de um mural coletivo de histórias e saberes.

Oficina 3: Diálogos em muitas vozes: a carta que não precisa só de letras

A terceira oficina discutiu o direito à palavra em diferentes formas de expressão. Inspirados por músicas e pelo filme ‘Central do Brasil’, os educandos produziram as Cartas para Esperançar, escolhendo destinatários como familiares, trabalhadores da Petrobras ou o próprio “eu” do passado.

As cartas puderam ser faladas, desenhadas, ditadas ou escritas, valorizando igualmente todas as linguagens. A proposta criou um ambiente acolhedor para compartilhar sentimentos, lembranças e sonhos, reafirmando a esperança como ação transformadora, no sentido do verbo esperançar.

Oficina 4: Socializando nossas cartas: do diálogo pessoal ao coletivo

Na quarta oficina, os participantes apresentaram suas cartas em um momento de escuta sensível e celebração coletiva. Áudios foram reproduzidos, desenhos e colagens compartilhados e cartas lidas em voz alta, sempre acompanhados de aplausos e acolhimento da turma.

Todas as produções foram reunidas no Varal de Esperançar, símbolo da união das histórias individuais. A leitura coletiva do varal permitiu identificar temas comuns — como fé, luta, amor, trabalho e esperança — que serviram de base para as próximas oficinas.

Oficina 5: Grafite é escrita de resistência: das nossas vozes para o muro

A quinta oficina apresentou o grafite como linguagem artística e forma de diálogo com a comunidade. A atividade aproximou essa expressão urbana da cultura popular, com referências à Patativa do Assaré, à literatura de cordel e à escrevivência de Conceição Evaristo.

A partir das palavras e mensagens do Varal de Esperançar, os educandos criaram esboços de grafite em papel, experimentando técnicas simples de stencil, lettering, colagem e desenho livre. O processo valorizou a autoria, a criatividade e a força da mensagem coletiva.

Oficina 6: Intervenção e esperançar: planejando nossa marca na cidade

Na última oficina, os educandos reuniram os esboços produzidos, as palavras do varal e reflexões sobre o meio ambiente e o futuro das comunidades. As rodas de conversa abordaram memórias sobre rios, árvores, áreas verdes e o cuidado com a vida e com as próximas gerações.

O grupo escolheu coletivamente as frases e imagens que poderão representar uma intervenção artística da turma na cidade. Todo o planejamento foi registrado no Documento do Esperançar, símbolo do compromisso de transformar palavras em ação coletiva.

Vozes das educandas

Ao transformar palavras, memórias e sonhos em propostas de intervenção para seus territórios, as oficinas também despertaram mudanças nas trajetórias pessoais dos educandos. Agricultora e educanda de Coari (AM), Elisângela Araújo de Oliveira, conta que a produção das Cartas para Esperançar foi uma das experiências mais marcantes do percurso formativo. Segundo ela, a atividade fortaleceu sonhos que agora pretende colocar em prática. "Quero escrever um diário da minha vida e ser professora", afirma. Em Cabo de Santo Agostinho (PE), Mara Soares também se emocionou ao escrever uma carta para a filha e revisitar sua trajetória de retorno aos estudos após três décadas longe da escola. "Demorei para escrever porque só depois de 30 anos retomei os estudos, aprendendo a ler e a escrever. Será muito útil para minha vida particular e social", relata.

Histórias como as de Elisângela e Mara revelam como o Projeto ALFA-EJA Brasil vai além da alfabetização e da aprendizagem da leitura e da escrita. Ao reconhecer os saberes construídos ao longo da vida, fortalecer o protagonismo dos educandos e estimular a participação coletiva, as Oficinas de Leitura e Escrita recomendadas para que jovens, adultos e idosos escrevam novos capítulos de suas histórias e reafirmem a educação como um direito e um caminho para transformar a si mesmos e os territórios onde vivem.

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